Versos Biográficos

Assim como a grávida
Eu nasci em Taubaté
Sou Monteiro, sou Lobato
Neto de Visconde, aquele de Tremembé…

De José Bento fui filho
Eis dona Olímpia minha mãe
A mesma me ensinara a ler
A culpada do meu gosto pela leitura florescer

Antes eu José Renato
Hoje sou Bento Monteiro Lobato
Justo por uma tal bengala de inicial gravada
Antes de meu pai e hoje por mim herdada

Com 13 anos no Instituto de Letras entrei
Almejando já a faculdade de direito, na qual também
Ingressei, estudei e em 1904 formei.
Logo já na formatura, eis me eu ineloquente
Considerado meu discurso agressivo
Retirou-se dali a maioria dos presentes

Como promotor assumi o cargo em Areias
Casei-me com Maria Pureza, Mulher de Estonteante Beleza
E quatro filhos tivemos,
Maria, Edgar, Guilherme e Rute, todos cuidados com muito amor
E junto ao meu cargo de Promotor
Também escrevi para revistas e vários jornais
Afinal, abandonar minha escrita? Jamais!

Foi em 1912, que a minha terra voltei
Pois uma fazenda de meu avô herdei
Onde escrevi a Velha Praga
Nome com o qual minha redação fora intitulada
E ao Estado de São Paulo fora enviada
Nela destaquei a ignorância do Caboclo Raiz
A miséria deles era algo inadmissível
Com eles o desenvolvimento do país seria impossível!

Urupês eu publiquei
Jeca Tatu à obra eu agreguei
Para Caçapava e depois São Paulo me mudei
Minha própria editora eu fundei
Já em 1921, Narizinho Arrebitado criei
Por meio dela, a sociedade critiquei
Meu Deus, será que grande escritor eu virei?
No gênero “conto” disseram que me destaquei…

Enfim, foi uma vida boa
Em 1948 descansei
Feliz pelo que vivi e
Feliz pelo que deixei
José Bento Renato Monteiro Lobato
Na terra, meu nome Gravei.

Gustavo Neves

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