O futebol e a pandemia

O Ministério Público recomendou à CBF (Confederação Brasileira de Futebol) que os campeonatos de futebol sejam paralisados diante do agravamento da pandemia do Coronavírus, mesma recomendação feita a algumas federações estaduais de futebol em específico. O fato de o país atravessar o momento mais grave da pandemia desde o seu início, com alta na média do número de casos confirmados e mortes, é a base da recomendação feita pelo Ministério Público. No entanto, o futebol apresenta atributos e características que diferem dos demais setores de trabalho no atual período vivido e que devem ser levados em consideração.

O futebol profissional possui protocolos bem definidos que abrangem medidas de prevenção à propagação do Covid-19. Dentre as medidas tomadas de prevenção ao vírus estão a testagem dos jogadores, técnicos, comissão de arbitragem e membros da confederação. Também, pode-se citar a ausência de público nos estádios e os protocolos de distanciamento adotados pela imprensa. Entretanto, deve ser levado em consideração que esses não são os únicos atores envolvidos na realização das partidas, logo, é mais que claro que os participantes do esporte acabam sendo vulneráveis à infecção dos seus participantes mesmo com todas as precauções tomadas.

No período atual, estão em curso os campeonatos estaduais de futebol e nesses campeonatos, além dos times de elite, que são conhecidos por praticamente todos, também estão times considerados menores e de poder aquisitivo extremamente inferior comparado aos mais conhecidos do público amante do esporte. Diante disso, cabe a reflexão sobre como os clubes são capazes de possuir protocolos eficientes em seus cotidianos. Embora os testes sejam custeados pelas federações estaduais e pela CBF em seus respectivos campeonatos, é necessário se levar em conta a estrutura dos clubes. Não é todo clube que conta com equipes médicas e técnicas vastas e conceituadas capazes de lidar com o momento de maneira mais eficiente. Sendo assim, cobrar de times “pequenos” o mesmo que é cobrado dos “grandes” do futebol brasileiro é injusto e está fora de cogitação.

Perante as medidas de prevenção ao Coronavírus no futebol e a situação enfrentada em decorrência da pandemia, como saber a decisão correta a se tomar? Pausar os campeonatos em defesa da segurança de seus envolvidos? Atrasar o calendário futebolístico mais ainda? Tirar do público o entretenimento e a fuga por meio do esporte diante da triste realidade da pandemia? A situação é complexa e exige análise minuciosa por parte das entidades envolvidas. Razões favoráveis e contrárias devem ser colocadas em pauta. O mais importante acima de tudo é o respeito pela segurança, que assegura a vida e a integridade das pessoas seja com a continuidade ou com a paralisação do futebol.

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