Brasil e Fórmula 1, um casamento histórico

Os brasileiros construíram um vínculo muito interessante com a Fórmula 1 ao longo da história. Isso se deve ao fato de o Brasil ter originado alguns grandes campeões mundiais da principal categoria do automobilismo mundial, como o bicampeão, Emerson Fittipaldi e os tricampeões Nelson Piquet e Ayrton Senna. Com Ayrton Senna, a notoriedade do automobilismo em cenário nacional se acentuou, afinal, além de ser um gênio nas pistas e um ícone da mídia, ele também sempre colocava em evidência o seu orgulho de ser brasileiro em um momento em que a população vivia desacreditada durante uma das grandes crises econômicas de sua história. Aquele homem, simpático, talentoso e genial guiando sua McLaren, motor Honda, assumia a posição de herói nacional com suas vitórias ostentando a bandeira nacional.

Após sua morte, no trágico dia primeiro de maio de 1994, no GP (Grande Prêmio) de San Marino, no circuito de Ímola, na Itália, o Brasil nunca mais voltou a ter um piloto campeão mundial. Na época, surgia Rubens Barrichello, mostrando talento, ousadia e dando esperanças ao público brasileiro, entretanto, entre idas e vindas, jamais sagrou-se campeão e, em seus tempos de Ferrari, assumia a posição de segundo piloto da escuderia, ou melhor, “copiloto” do grande Michael Schumacher que acumulava títulos ano após ano.

Outro piloto com grande notoriedade, em quem os brasileiros amantes do automobilismo depositavam expectativas, era Felipe Massa. Em 2002, ele surgiu na equipe Sauber, considerada pequena na época, mostrando ser promissor, mas pecou pela ousadia em alguns momentos. Em 2003, ficou sem equipe e foi piloto de testes da Ferrari. Posteriormente, em 2004, retornou à Sauber, onde pilotou por duas temporadas. Em 2006, foi contratado pela Ferrari para ser o novo companheiro de Schumacher. Conquistou sua primeira vitória no GP da Turquia e venceu o GP do Brasil, em Interlagos, naquele ano; sendo o primeiro piloto brasileiro a voltar a vencer no país depois do finado e lendário Ayrton Senna.

O Alemão e heptacampeão Michael Schumacher deixou a Ferrari ao fim da temporada de 2006. Com isso, o olhar dos brasileiros se voltou a Felipe Massa, que agora tinha condições de brigar pelo título naquele momento. Devido a problemas ao longo do ano, ele acabou como terceiro colocado no campeonato e seu companheiro de equipe, o finlandês Kimi Raikonnen, foi o campeão. Em 2008, Massa chegou a assumir a liderança do campeonato e só não foi campeão por um ponto. O fatídico GP do Brasil de 2008 não some da memória dos brasileiros. Massa precisava vencer a corrida e torcer para que Lewis Hamilton acabasse no máximo em sexto para que pudesse conquistar o título. Tudo estava correndo perfeitamente bem, Felipe venceu a corrida e comemorava veementemente, mas na última curva, Hamilton ganhou a posição que precisava de Timo Glock, que tinha problemas com seus pneus de pista seca na chuva. Diante disso, o piloto Inglês foi o campeão mundial em 2008. Desde então, jamais um piloto brasileiro chegou tão perto do título quanto Felipe Massa.

A centésima primeira e última vitória conquistada por um brasileiro foi a de Barrichello, em Monza na Itália, quando corria pela equipe Brawn GP, em 2009. Barrichello se aposentou em 2011 e Massa em 2016, ambos correndo pela tradicional equipe Willians. Desde a aposentadoria de Felipe, nenhum piloto assumiu a posição titular de um cockpit (assento do piloto) de um carro de F1. Pietro Fittipaldi, neto do bicampeão Emerson Fittipaldi, chegou a fazer duas corridas no fim de 2020, substituindo Romain Grosjean, após um grave acidente, pela equipe Hass. Sem possibilidades de fazer muita coisa, com o pior carro do grid da Fórmula 1 de 2020, Pietro fez duas corridas sólidas, mas sem resultados expressivos.

Os brasileiros, fãs da principal categoria do automobilismo mundial, sonham com o surgimento de um piloto compatriota na categoria, entretanto o cenário de uma Fórmula 1 impulsionada por patrocínios extraordinários dificulta isso, pois a concorrência econômica acaba sendo desleal. Contudo, fica a esperança de que em algum momento o verde e amarelo volte a ser representado na Fórmula 1 trazendo muitas alegrias aos admiradores do esporte.

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