Sobre o Retrato de Dorian Gray

A literatura clássica que é exigida academicamente, seja em função de trabalhos, avaliações ou qualquer outro motivo, sofre muito preconceito em nossos dias. São evidentes as atitudes de jovens, principalmente no ensino médio, evitando fazer a leitura de tais livros, e por mais que sejam precisos dedicação e esforço ao realizá-la, é equívoco o hábito de acreditar que um filme ou um resumo da rede possam oferecer as mesmas experiências que uma boa obra literária.
Obtenho tal reflexão ao escrever sobre O Retrato de Dorian Gray de Oscar Wilde, visto que antes mesmo que fosse solicitado por um professor, já havia lido a obra, portanto não tive tempo de, preconceituosamente, julgá-lo desinteressante por ser parte de um movimento literário estudado na disciplina de literatura, assim exigido academicamente. Pelo contrário, o livro se mostrou bem escrito e capaz de oferecer experiências e reflexões incríveis.
A história que tanto me cativou traz a trajetória e decadência de um personagem que deixa, em certo ponto, de sofrer as consequências de ações inevitáveis, sendo imune ao envelhecimento inclusive. O jovem personagem, Dorian Gray, é modelo e inspiração artística do pintor Basil Howard. O mesmo desenvolve grande afeição pelo rapaz, depositando sobre um quadro muito mais que algumas pinceladas de tinta. Com interferência de Harry Wotton, mudanças no inocente Dorian começam a surgir, o que inicia o ponto alto da obra.
Sobre a pintura são depositados os mais diversos sentimentos, com destaque ao desejo de Dorian de que a juventude seja eterna e que a vida imite a arte, pois a arte é jovem para sempre. Além disso, ao longo do livro, vemos a forma com que cada personagem lida com a vida e a forma com que lida com as pessoas. Vemos pensamentos egocêntricos, porém reflexivos vindos de Lorde Henry, a submissão que surge em Basil em razão de sua afeição por Dorian e, principalmente, a forma com que Dorian Gray lida com o amor e com outros aspectos da vida isento de consequências.
O Retrato de Dorian Gray vale cada segundo que é investido em sua leitura, e não só o livro, mas sua história. A repercussão causada por Wilde no século XIX, assim como a maneira com que relacionou os personagens no século em que escreveu são bons motivos para se investir nessa leitura.

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