Ser Negro

Ser negro… (Robélia Aragão)
Não se resume à questão de pele.
Não se resume à questão dos cabelos crespos.
Ser negro é…
[…]
Ser negro é ter…
Coragem.
Atitude.
[…]

Na busca de um rosto e um corpo perfeito, algumas pessoas movem terras e mares para conseguirem o padrão de beleza que lhes é imposto, como uma forma de encontrar a felicidade exterior, a aceitação de determinado grupo e de serem aplaudidas pelos que estão a sua volta, por isso essa busca fanática pela perfeição, mas a sociedade Brasileira apresenta controvérsias em relação ao padrão de beleza.

Você provavelmente já deve ter ouvido falar sobre “Ser Negro está na moda”, no entanto o que seria essa moda negra? É o aprimoramento da cultura afro, dando um novo “rosto” para a cultura. Você já deve ter visto na televisão, na rua, no seu bairro, nos jornais, pessoas brancas de classe média alta, artistas renomados, usando turbantes, estampas afro, cabelos Black Power, dreadlocks, etc.

Essa “adesão” à cultura afro, embora aparentemente ingênua, pode trazer alguns problemas como mecanismos racistas, que têm o desejo de excluir o negro, criando uma nova cultura acessível, comerciável e aceita pela sociedade. Um exemplo disso foi a atitude do escritor Bernardo Guimarães, colocando em sua narrativa “A escrava Isaura“, uma personagem branca como escrava para atrair as pessoas.

Um exemplo contemporâneo: em uma novela “global”, quem não ia aderir à moda se a Giovanna Antonelli usasse peças de roupa ao estilo “afro”?! Se ela está usando, também vou usar! Agora, seria a mesma adesão ao estilo da Taís Araújo ao atuar em Mister Brau…? Um branco fazer exatamente o que o negro faz é mais aceitável e deixa tudo mais bonito, mas se um negro fizer apologia à cultura “afro”, é mal interpretado. É o que acontece por baixo dos nossos olhos, um racismo disfarçado de moda.
Mas até que ponto essa moda é válida? Por acaso, serve para defender uma pessoa que foi humilhada na rua por ser negro? Ou ainda, a não aceitar as piadas racistas que fazem nas redes sociais?
Todos dizem que isto é mimimi, pois defendem essa “moda” com o seguinte argumento: “isto é valorização da cultura negra”. Ótimo, mas onde fica essa valorização quando você faz uma piada racista? Quando você olha um negro com indiferença e nojo? Por que a moda não se aplica na luta da igualdade racial? Por que você não faz nada para mudar esta situação? Não fez nada porque ser negro está na moda, desde que você não seja negro. Quer fazer parte desta cultura? Leia novamente aquele poema acima, seja negro por inteiro, não somente uma figura reproduzida pela mídia.
Temos que enxergar: não é bonito, não é valorização, trata-se de uma hipocrisia. Agora para encerrarmos, que tal um trecho de uma música que retrata bem este tema?               “Olhos Coloridos”, de Sandra de Sá:
“ Meu cabelo enrolado
Todos querem imitar
Eles estão baratinados
Também querem enrolar

Você ri da minha roupa
Você ri do meu cabelo
Você ri da minha pele
Você ri do meu sorriso

A verdade é que você,
Tem sangue crioulo
Tem cabelo duro
Sarará crioulo. ”

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