Sem lei, nem rei, nem PM

Quem ainda não ouviu falar das atrocidades que aconteceram no Espírito Santo? Pois é, virou uma preocupação nacional. E não é para menos: com a Polícia Militar em “greve” por conta do protesto de seus familiares, não havia nada que impedisse criminosos de cometerem delitos. Agora resta saber, seriam essas pessoas os criminosos que imaginamos? Seriam apenas uma parcela de revoltados que exigem melhoras para ontem? Ou pior, seriam componentes de uma camada social muito prestigiada que possuem interesses por trás da situação?

Se eu estiver falando grego para você, entenda o caso comigo.
O que acontecia era o seguinte: os policiais militares estavam sendo “impedidos” de trabalhar graças a uma movimentação de suas famílias em frente aos quartéis nos quais exercem sua função. Isso porque, no código de honra dos mesmos, a greve é proibida. Você já parou pra pensar no porquê? Simples, com a polícia fora de circulação, os bandidos podem fazer a festa. E, pelo jeito, é exatamente isso que acontecia no estado. Várias cidades foram alvos de assaltos e assassinatos. Eu não engoli essa história.

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Uma pergunta imbecil: quando se faz uma greve, o que os manifestantes esperam? Serem atendidos, não é mesmo? E a forma mais rápida de obter sucesso é demonstrando que uma sociedade sem o serviço que foi paralisado funciona mal. Minha preocupação maior é não saber até que ponto as pessoas estão dispostas a chegar para ver sua causa prevalecer. Talvez até mesmo ceifar vidas e prejudicar estabelecimentos comerciais, bem como pessoas inocentes. O mais triste é que não foi tão difícil para eles conseguirem pessoas para ajudar nos delitos. Essa é uma boa hora para rever os valores da nossa sociedade.

Claro que a situação não parou por aí. Por conta de tais crimes, muitos cidadãos desesperados pediam intervenção militar, pois várias pessoas associam o período ditatorial de 1964 à segurança. Inicialmente, o pedido se referia apenas ao envio de tropas às ruas, para conter os frequentes atos de rebeldia. Porém, basta pensar um pouco no assunto para notar que podem existir interesses maquiavélicos por trás da situação. Veja bem, uma população que está desesperada por segurança dificilmente recusaria uma ajuda imediata, mesmo que venha com a extinção de seus direitos civis. E se essa ajuda trouxesse, de quebra, a volta da ditadura militar? Talvez sim, talvez não. Quem saberá?violencia-greve-espirito-santo-vitoria-20170210-029

O que pode estar por trás desses acontecimentos é sinistro, mas nada se compara aos seus efeitos. Nada é tão terrível como a participação de cidadãos comuns em delitos que, muitas vezes, não tem nem desculpa. A partir do momento em que várias cidades de um estado precisam desesperadamente de autoridades responsáveis por detenção para que seus habitantes se comportem segundo as leis, é fato que alguma coisa está MUITO errada. Afinal, os códigos de ética e moral deram lugar ao “medo de ir em cana”. Isso é uma pena, porque infelizmente não dá para garantir a punição de culpados em todos os casos. E sabe o que é pior? Não há garantia de educação, também.

Agora, cerca de 10% dos policiais estão sendo processados pela própria Polícia Militar devido a essa greve inconstitucional. Mesmo com suas mulheres saindo em defesa deles ao dizerem que elas são as responsáveis pelo movimento, as autoridades acreditam que isso seja uma tentativa de encobrir um motim dos PMs. Bom, uma coisa é fato: pouco a pouco, a situação antes extrema chega perto da normalidade.

Mesmo assim, depois de todos esses acontecimentos, deixo aqui a minha solidariedade às vítimas de crimes terríveis, que acontecem tanto no Espírito Santo como em todos os lugares em que o povo exibe um comportamento cultural deplorável. E como propagou um corajoso cidadão ao som de John Lennon: SEM MEDO. É preciso manter a esperança na sociedade. Pelo estado e pelo país.

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