Redes Sociais: Mais um “Click”

”Click” ou “Splash”, simples palavras utilizadas em cartoons e tirinhas para expressar nada mais do que se tornou nossa atual sociedade.
“Click” e você tem uma câmera na sua direção.
“Splash” e cá estamos nós tentando recuperar nossa visão após um flash direto em nosso rosto.
Nós nos tornamos nada além de o click de uma câmera e pixels atrás de uma mini tela de mercúrio e mais um monte de misturas que não possuem muita utilidade aqui.
Somos uns para os outros uma foto no Instagram, uma postagem no Twitter ou uma mensagem no Whatsapp, a idealização de algo que tentamos fazer com que acreditem que somos.
Oras, quem não é inteiramente sem defeitos por de trás de uma tonelada de filtros, uma boa iluminação e uma câmera de até 48 MP?
Quem não consegue ser interessante e divertido 24h por dia quando tudo o que tem que fazer é digitar algo e adicionar um “kkkkk” na frente e está tudo bem ?
Deixamos de ser pessoas para nos tornarmos objetos inanimados existentes apenas dentro da internet.
Um surto, uma epidemia.
A sensação de horror nos atinge quando a famosa conversa “cara a cara” nos é mencionada, afinal, como vamos saber se estamos no nosso melhor ângulo ou se a luz está nos favorecendo?
É péssima a menção de “sair pra um rolê”, até por quê, quais os motivos que me levam a sair se não haverá internet ?
Mas é pra isso que existe 3G e 4G ! E quando não possuímos um dos dois, somos movidos pelo único desejo de gastar uma tonelada de maquiagem, usar roupas bonitas, e exagerar no perfume (como se nossas postagens exalassem até mesmo o nosso cheiro) para conseguir uma foto boa e colocar em uma de nossas redes sociais com a tão conhecida legenda “Partiu rolê” ou “Bora pra festa” ou qualquer coisa vazia do gênero.
Nós nos tornamos parte de um show, míseros fantoches de uma peça de teatro e quando as cortinas se fecham – ou melhor dizendo, quando as telas se apagam e as câmeras são desligadas – somos jogados em qualquer canto nos questionando sobre quando terá início o próprio espetáculo.
Não passamos de rascunhos de um cartoon onde somos coadjuvantes sem chances para o estrelato. O Cartoon da sociedade. Onde nos prendemos em seus padrões e estereótipos, onde estar triste é um pecado e a palavra ‘escolha’ é inexistente no vocabulário.
Onde a arte é coisa de quem é “burro” ou “sem futuro na vida”.
Onde apreciar a natureza e tudo que há de bom nela é ” nossa, deve ser mais um hippie drogado”.
Onde religiões se tornaram insultos assim como coisas relacionadas à aparência: gorda, magra, alto, baixo.
Onde eu ser eu é um pecado capital.
Onde amar é “coisa de gente trouxa” e brincar com os sentimentos alheios te torna o “fodão” da coisa toda.
Onde as pessoas se importam mais com elas mesmas e o que pensam delas do que com sua dignidade, ética e escrúpulos.
Somos uma causa perdida !
Sou suspeita para falar sobre tudo isso, sou apenas mais uma de vocês. Sobrevivendo de fotos e twittes, ignorando qualquer rastro de tristeza e pura humanidade existentes em mim.
Entretanto agradeço por não me encaixar em todas as formas errôneas de ser o rascunho de um fantoche. E agradeço a Deus por existirem algumas poucas exceções do apocalipse que estamos criando.
Então caso seja uma delas, eu imploro, encontrem a cura e nos salvem de nós mesmos, nos salvem da doença que criamos, somos incapazes de nos livrar dela por conta própria! E caso tenha chance, corra, e mantenha tudo que ainda resta de humanidade intacta em você.

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