Racismo: Um problema com raízes

O passado, na maior parte das vezes, influencia diretamente em rumos tomados em tempos posteriores a ele. Ao se abordar o racismo existente no Brasil nos tempos atuais, a situação não é diferente. Ele é resultado de um passado no qual são encontradas marcas de escravidão, de desvalorização e de preconceitos em relação aos negros.

Estima-se que cerca de 4,9 milhões de negros foram trazidos para o Brasil como escravos. O país tardou em abolir a escravatura e quando, enfim, a mesma foi decretada por lei, não foi oferecido um mínimo de suporte aos ex-escravos da época. Isso acabou acarretando o modo como os negros se inseriram na estrutura social daquela época e como se localizam em sua maioria desde então. Tal ocorrido foi um fator que influenciou a forma como se organiza a pirâmide social brasileira, que evidencia desigualdades entre negros e brancos. Dados apontam que, do conjunto de 10% dos mais pobres da população brasileira, cerca de 70% são negros e entre os 10% mais ricos, apenas 15% são negros. A partir desses dados, é notória a existência de uma hierarquia racial nas camadas da sociedade nacional.

Diante de tantos fatores socioeconômicos, também são visíveis diversos casos de segregação racial. De algum modo, no interior de cada pessoa existe um viés inconsciente que faz julgamentos inadequados de determinados indivíduos com base nas aparências deles. Associações normalmente feitas por muitos aos negros são resultado desse viés que acabou herdando estereótipos racistas. Conceitos e ideias sem fundamentação racional, que dizem respeito aos negros, partem de uma herança racista e preconceituosa que nunca se preocupou com igualdade e sempre os inferiorizou com base em características étnicas que jamais poderiam ser critérios para definição de caráter.

Combater o racismo exige representatividade sociopolítica por parte daqueles que podem ajudar de modo efetivo nessa causa. Quase todos afirmam, veementemente, que existe racismo, mas pouquíssimos se julgam racistas. Primeiramente, cada um deve se autoanalisar e definir o que pode mudar em si e ao seu redor para buscar a erradicação do racismo. Por ser um problema estrutural, é necessário tratá-lo desde cedo com as crianças promovendo políticas educativas visando à defesa da igualdade entre todos, independentemente da cor da pele e de quaisquer características étnicas.

 

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