Para haveres de nossa sanidade…

     Ao sairmos do ventre, nosso primeiro contato com o mundo resulta em um choro, o primeiro choro, que representa o choque com a existência, o choro que nos permite respirar de forma autônoma.

    Nossos primeiros dias de vida são totalmente indefesos e dependentes de nossos cuidadores. Ao crescermos, desenvolvemos nossos primeiros passos e indícios de fala. Mas perante todo esse desenvolvimento, você já se questionou quando foi sua primeira percepção de ser você? Quando foi a primeira vez que nos sentimos realmente presentes em nós mesmos, de forma a reconhecer quem somos e onde estamos? Qual foi o momento em que tivemos a primeira noção de mundo? Que nos identificamos com nossos nomes? E por que esquecemos a maior parte de nossas vidas e, ainda assim, vivemos nossos dias como se lembrássemos de tudo? Por que não nos lembramos do nosso nascimento, por exemplo? Ou dos nove meses que passamos dentro do útero de nossas progenitoras? E por que nos conformamos com tudo isso? O que significam os sonhos que temos durante o sono?…

    Desviam-se respostas perante tantas indagações. Talvez, só talvez, o estigma misterioso seja a garantia da especiosidade e complexidade da vida. Talvez seja o que detém nossa bravura, de forma a nos lembrar da inexistência do nosso, utópico, domínio.  E para haveres de nossa sanidade, talvez não devamos nos aquietar com o porquê somos e, sim, meramente, em ser.

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