País do Futebol: Origem, implantação e profissionalização do esporte

Muitos pensam que o Futebol teve sua origem na Inglaterra, mas isso é um grande erro. O futebol já era praticado desde a antiguidade. Não no modo como é conhecido atualmente, pois tinha denominações diferentes e possuía algumas diferenças comparado ao esporte atual. Já era praticado na China com o nome de Tsu Chu; no Japão, como kemari; na Grécia, como Epyskiros; e em Roma, como Harpastum. O que os ingleses fizeram foi a formulação das primeiras regras e a fundamentação da base do esporte conhecido atualmente.

Existem muitas teorias a respeito da chegada do futebol no Brasil. Alguns consideram Charles Miller o pai do futebol brasileiro, outros acreditam que marinheiros ingleses já haviam praticado o esporte em praias do Rio de Janeiro e de Santos. Todavia, os registros mais confiáveis apontam Charles Miller, brasileiro, filho de ingleses, como pioneiro do futebol no país, especificamente no estado de São Paulo. Ele teria ido estudar durante um período na Inglaterra e ao voltar, trouxe consigo de lá duas bolas, bomba para enchê-las, camisas para dois times, pares de chuteira e livro de regras para implantar o Football (como era chamado na Inglaterra) aqui no Brasil. Oscar Cox é mais um que também é considerado um dos pioneiros do futebol no Brasil e sendo o mais importante no Rio de Janeiro. Com o passar do tempo, o futebol foi evoluindo e surgiram os primeiros times “profissionais”, como por exemplo o Sport Club Rio Grande fundado em 1900, a Ponte Preta fundada em 1900, o Fluminense fundado em 1902, o Vitória em 1902, o Grêmio em 1903 e, posteriormente, outros que são conhecidos até os dias atuais.

Como o esporte havia sido trazido da Inglaterra para o Brasil, o acesso a ele era exclusivamente da elite no início de sua implantação em terras tropicais. Pessoas negras e pobres não tinham acesso ao futebol e nem poderiam praticá-lo. O esporte foi se tornando cada vez mais popular entre a sociedade elitizada e branca da época. O elitismo e o racismo eram tão presentes que negros chegavam a se maquiar utilizando pó de arroz para disfarçarem suas características étnicas de modo a não serem impossibilitados de jogar. A elite era contra a profissionalização do Futebol. Um exemplo prático disso foi o Campeonato Carioca que chegou a ter em seu regulamento uma regra que proibia a participação de jogadores sem emprego, de modo que o esporte não rendesse remuneração aos seus praticantes para que não perdesse sua “essência” que era dominada pela elite.

Houve inúmeros embates e conflitos entre jogadores, clubes, federações e outros órgãos a respeito da inserção dos negros no futebol e para que o esporte fosse profissionalizado. Uns eram favoráveis, outros contrários, mas no final das contas isso acabaria se tornando algo inevitável. Conforme o nível técnico do esporte ia aumentando era necessário que houvesse miscigenação dentro das equipe,, para que tivessem os melhores jogadores. O esporte necessitava ser profissionalizado, pois se tornava cada vez mais sério e, de qualquer modo, a remuneração dos jogadores seria consequência.

Oficialmente, o Futebol no Brasil só se tornou profissional no ano de 1933. A profissionalização do futebol foi importantíssima tanto como colaboração para o seu desenvolvimento, quanto como ação que resultou na diminuição da evidência racista e elitista presente até aquele momento no esporte em território nacional (por mais que o racismo esteja presente até hoje de um modo menos notório).  Esse marco é extremamente relevante para toda a história do esporte no país, que é recheada de conquistas e vitórias, não só em aspectos esportivos, mas também em aspectos culturais, sociais e políticos evidenciados desde então.

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