País do Futebol: A saga de uma seleção tricampeã do mundo

“País do futebol”, esse é o modo como muitos se referem ao Brasil devido a diversos fatores. O principal é o de que a Seleção Brasileira é a maior campeã da história das Copas do Mundo. São 5 títulos mundiais, as outras duas seleções com mais títulos são a Alemanha e a Itália, ambas com 4. Mas o que fez o Brasil atingir com êxito esses cinco troféus tão cobiçados por tantas das seleções de alto nível existentes no planeta? A resposta a essa pergunta encontra-se na ginga que é característica principal de nosso futebol raiz, um futebol capaz de encantar qualquer telespectador que admire e entenda um mínimo relacionado à fundamentação desse esporte.

Esse futebol raiz, mais conhecido como nosso futebol arte, teve sua ascensão com o título mundial de 1958, aquela era uma seleção que inicialmente queria utilizar de uma visão europeia de futebol, com a tática regendo-a, mas ao longo da competição, acabou se rendendo ao estilo de futebol característico da nação verde-amarela, com a ginga e a técnica. Isso se deve, principalmente, à ascensão da principal lenda da história do futebol, aparecia para o mundo naquele mesmo ano de 1958 Edson Arantes do Nascimento (Pelé), que começava ali uma trajetória imensamente vitoriosa com a “amarelinha”. O ano de 1958 ficou marcado na história, primeira Copa do Mundo conquistada pelo Brasil e o “nascimento” de um craque de futebol.

O ano era 1962, Copa disputada no Chile, 14 seleções em busca do título. Agora, com seu estilo de jogo bem evidente e com identidade assumida, a seleção Brasileira partia em busca do Bicampeonato. Olhos voltados a Pelé, todos depositavam muitas expectativas sobre ele, mas, infelizmente, no segundo jogo do campeonato, ele se lesionou, e a partir disso ficou impossibilitado de jogar todos os demais jogos. O que seria do Brasil após perder sua maior estrela? A resposta é simples, o Brasil não tinha apenas uma estrela, tinha várias. E após a lesão de Pelé, um jogador em especial atraiu a atenção para si de modo esplendoroso. Garrincha era o modo como se referiam a ele. Um craque de bola, “o anjo das pernas tortas”, assumiu a responsabilidade de se tornar a referência daquele time por meio de suas boas atuações. Fazia seus marcadores tremerem na base diante de sua genialidade, um exímio ponta-direita. Para muitos, o melhor da história. Naquela Copa, quando não marcava os gols, ele atraia a marcação para si e tratava de deixar seus companheiros em condições de estufarem as redes. Assim foi na final, atraiu a atenção para ele, e deixou seus companheiros em condições de fazerem os gols. Os jogadores que asseguraram a vitória foram Amarildo, Zito e Vavá que marcaram os gols após o Brasil sair atrás no placar. Em 1962, no Chile, o Brasil, mesmo sem Pelé, mas com outros craques, conquistava o bicampeonato mundial em cima da Tchecoslováquia ganhando a final por 3×1.

Após a decepção de 1966, embora a seleção tivesse entrado como favorita, foi eliminada na primeira fase, e o tricampeonato teve de ser adiado. Copa do Mundo de 1970, realizada no México, a seleção Brasileira carregava marcas da Ditadura em sua delegação, pois a mesma era comandada por um major-brigadeiro e possuía inúmeros militares com diferentes funções dentro dela: supervisor, preparadores físicos e outros. Faltando poucos meses para a Copa, o técnico João Saldanha foi demitido por não aceitar interferência técnica do então presidente da República general Emílio Garrastazu Médici, que impunha a convocação de um jogador. 60 dias antes da Copa, Zagallo foi anunciado como técnico. Fora de toda essa polêmica e dentro das quatro linhas, a seleção não decepcionou. A dupla Pelé e Tostão, acompanhada de outros craques como Rivelino, Edu, Gerson, Jairzinho e outros trataram de dar shows à parte durante a competição. A final foi disputada no emblemático Estádio Azteca contra a Itália, com gols de  Pelé, Gerson, Jairzinho (que fez gols em todos os jogos) e Carlos Alberto Torres (lateral direito e capitão). O Brasil se sagrava tricampeão mundial de futebol vencendo a seleção italiana por 4×1. Essa seleção tricampeã é considerada por muitos o melhor time de futebol de todos os tempos e com certeza a melhor seleção brasileira da história.

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