Orgulho e preconceito – Falas sobre a homossexualidade

“Mãe, eu sou gay”, essa é uma frase que amedronta uma boa parte das famílias brasileiras tradicionalistas hoje em dia. Mas o que é ser gay? Levanta-se todo um questionamento acima disso que nos leva à raiz. Em primeiro lugar, deve-se levar em consideração alguns argumentos base para se entender a questão de gênero – originalmente, o sexo feminino nem era cogitado. O que se acreditava era que a mulher era como uma fase primordial do que futuramente seria o homem em si. No século XVII temos a criação do Two-gender type, que trata da divisão de gênero conservadora conhecida hoje, o masculino como a imagem da perfeição e a mulher como o contrário da perfeição, sendo então o gênero “imperfeito”. O homossexual, então, a partir do Two-gender, é o homem que quer ser mulher ou vice-versa. Essa visão está incutida, mesmo que em linhas tênues, na sociedade: logo, o primeiro passo para nosso entendimento da homossexualidade é que ser homossexual é algo natural e pessoal, não proveniente de influências externas ou algo mutável.

Na visão conservadora, homossexualismo continua sendo algo de influência externa, já que vivemos em uma normativa que é heterossexual por essência, mas pior do que isso é que estes estereótipos do antinatural ainda estão prescritos em linhas tênues no nosso conhecimento, ainda nos é pregado que amor de verdade é aquele que tem como consequência a reprodução. Ainda nos é pregado que amor e sexo tem uma ética a ser seguida. Esses estereótipos que rodeiam a homossexualidade somados com o medo do desconhecido acabam numa reação de associação da homossexualidade com patologia (Doenças) e pecado. Por mais que a ciência tenha nos mostrado que a homossexualidade é algo interno, algo imutável, os argumentos refutados décadas atrás e que hoje não passam de um passado obscuro da medicina, são os favoritinhos da extrema direita que limita tão cegamente os direitos da comunidade LGBT que não veem os prejuízos que acarretam para o resto da comunidade.

Voltando a focar nos estereótipos, muitos esquerdistas extremos têm que levar em consideração que o preconceito, seja ele como for, está velado na sociedade de forma tão enraizada que a discussão, hoje, não se trata de “igreja ser o problema de tudo” mas sim de como a educação em um estado laico está sendo ministrada para a juventude que futuramente irá nos representar, admito sim que a situação está alarmante, mas também sou amparado pelo fato que a juventude procura argumentos para se defender, que, em focos pequenos mas que aos poucos se alastram, pensar está se tornando uma ferramenta e o mercado dos argumentos prontos e das ideias vendidas está ficando obsoleto. Vale a pena ressaltar que argumentar não adianta, ter ideias mas não lutar por elas torna impotente qualquer causa. A melhor maneira para lutar contra estereótipos velados é procurar conhecimento e substituir pensamentos estereotipados por pensamentos progressistas.

Volto muito a ressaltar e a dizer que nosso inimigo não é a igreja, nosso inimigo não é a fé. Nosso inimigo é a ignorância que cega as pessoas diante de afrontas aos direitos humanos. Vale dizer e ressaltar que a religião em si, na minha concepção de vida, é um assunto de valor interno e que jamais deve ser usada para julgamentos externos, ainda sim, tentar absorver as verdadeiras ideias de qualquer religião é o que vale, e não se utilizar dela para julgar o outro como certo e errado. Os extremistas pregam o preconceito sem pensar na solidariedade, amor e compaixão que se vê em quase toda a bíblia, se valem de exceções e não dos verdadeiros valores pregados em qualquer escritura sagrada. Vale sim comparar os nossos extremistas “cristãos” aos extremistas islâmicos, mas diferente deles, o terrorismo “cristão” afronta direitos humanos de uma forma velada, por baixo dos panos, fazendo com que o indivíduo homossexual se sinta errado perante os outros, que o indivíduo homossexual venha a questionar se sua existência é correta. Levam para si orgulho pela “salvação” do irmão e não pesam em sua consciência as vidas penduradas na forca que eles mesmos prepararam.

Por fim, acho importantíssimo revelar que não estou falando somente de toda comunidade religiosa, pois esse tipo de preconceito velado existe na sociedade como um todo. Falo do meu medo pelas consequências da triste ascensão dos extremos conservadores e do impacto que eles causam na mente dos jovens. Volto a dizer, nossa guerra é contra a ignorância e os estereótipos que se levantam contra as minorias. Sou homossexual sim, não preciso ter orgulho de ser o que sou. A luta pelo verdadeiro conhecimento, pelo respeito e pelo amor ao próximo, disso eu me orgulho. Pois essa é a base de qualquer iluminação na vida humana.

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