O genocídio

Como pode o ser humano, com tamanho afinco, tentar a cada dia, enriquecer-se às custas da morte do que o mantém vivo? Qual é o preço de tamanha ganância? As florestas sussurram, e o céu se torna cinza, anunciando dias de desespero. “Interesse na Amazônia não é no índio nem na ***** da árvore, é no minério”, diz Bolsonaro, o ilustríssimo presidente da República das bananas. Claramente, o dinheiro será muito útil em um planeta inabitável. De que valerão alguns dólares em um planeta no qual consumir alimentos naturais, sem intervenção da engenharia genética, será luxo?
Como descrito na música “Admirável chip novo”, de autoria da cantora Pitty, somos a todo instante levados a pensar como querem que pensemos. Vivemos numa distopia da ganância, do egoísmo, da luxúria. Somos oprimidos pelo desejo em adquirir um capital, que em sua essência, de nada vale.
Raimundo Teixeira Mendes, ainda no século XIX, estampava em nossa bandeira a máxima “Ordem e Progresso”. A ordem necessária para que os que possuem o poder, mantenham-se no poder, e o progresso que vemos. Cortar árvores, matar índios, liberar gases tóxicos em indústrias e, por fim, acabar com qualquer possibilidade de vida em nossa biosfera, esse é o progresso que tantos dizem estar em busca.
Houve uma distorção de valores, o retrocesso passou a ser chamado “progresso”, a opressão, “ordem”, e a natureza tornou-se objeto de exploração e enriquecimento. Até quando essa situação permanecerá? Até quando o relativismo nos acometerá? O certo tem que ser tido como certo e o errado como errado.
O falso juízo de valores que temos sobre as coisas têm que acabar, antes que ele acabe conosco.

 

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