O Epitáfio

Para todo mundo, chega aquele momento em que você para e pensa que deveria ter aproveitado mais a família, os amigos, as festas ou até mesmo o tempo livre. Esse momento, infelizmente, não surge apenas uma vez, aliás, nesse dia a dia corrido, acontece de forma cada vez mais frequente.
É engraçado como as responsabilidades surgem em nossas vidas, num movimento tão sutil e depois tão arrebatador que quase nos pegam desprevenidos e nos causam um baita susto. Ninguém percebe, mas logo você está fazendo escolhas importantes na vida, estudar, trabalhar, sair de casa.
Ah! Sair de casa. Parece ser tão legal quando moramos com nossos pais. Ser independente, dormir a hora que quiser, fazer o que quiser. A ideia de tudo isso parece tão divertida! Mas no final, quando estamos prestes a tomar uma decisão como essa ou acabamos de fazê-lo, surge aquela crise de existência, aquela síndrome do não crescimento. – Nossa, como eu queria o colo da minha mãe agora! – Chegar em casa e não ter a comida quentinha de nossas mães, não ter tudo à mão o tempo todo, aprender a costurar o botão daquela camisa. – Ai, quero minha casa! – A gente se diverte, mas é tão duro ter que crescer. Descobrir que o mundo não é tão colorido, que as pessoas não são tão boas e que os “nãos” que recebemos lá fora são bem piores que os de nossos pais, é um tanto frustrante. Alguns dias, você vai querer muito estar em sua cama antiga, mas ela não estará em seu alcance. Algumas vezes, você vai querer a opinião do seu pai e sentir o cheiro da sua mãe, mas tudo que você vai conseguir é ouvir a voz deles pelo telefone ou a imagem vaga da webcam e aí, então, entenderá o que é a SAUDADE.
Eu nunca entendi bem aquela coisa que as pessoas falam de aproveitar nossos pais enquanto podemos, até sair de casa, eu achava que aquilo valia apenas para a morte, mas não, muitas vezes, a distância que a vida coloca é motivo suficiente pra você entender essa e muitas outras lições que dizem por aí.
Além de tudo isso, nunca estamos satisfeitos. Aos dez anos, bom, eu não me lembro o porquê, mas eu achava que ter dez anos era incrível! Aos 15, eu poderia ter um pouquinho mais de autonomia, poderia chegar à meia noite em casa e ter aquela festa. Aos 18, tiraria a carteira de motorista e aos 20, me sustentaria sozinha. Não exatamente desse modo, mas todo mundo tem um plano pra tal idade, tem um objetivo e tudo o que conquistamos parece nunca nos saciar. – Que sede é essa?
O arrependimento sempre vem à galope, desejamos atrasar o nosso relógio um pouquinho pra poder voltar e ficar mais e a impossibilidade disso às vezes machuca. Precisamos parar e aproveitar mais, parar de deixar que “Epitáfio”, dos Titãs, seja tema de nossas vidas e ainda, não esperar que o acaso nos proteja.

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