O destino de uma sociedade distópica

Ao percorrer a viela dos mortos, passou pela encruzilhada dos famintos, pessoas que clamavam por um porquê, um motivo para viver. De fato, essas pessoas não estavam famintas como há de se imaginar, por alimentos que não possuíam, porque desses, na realidade, não lhes faltavam. Estavam famintos por um motivo de ser, uma razão para as suas existências fúteis. Sobreviviam, mas não viviam. Fartura nos cofres, vidas falidas.

Talvez tivessem como objetivo de vida, quando crianças, essa falta de porquês, não por imaginarem isso como algo bom, mas sim porque desde pequenos foram ensinados que para serem alguém, deveriam habitar na avenida da riqueza, na esquina da luxúria. Mas quão próximo essa vida era de uma vida faminta, não imaginavam. A tão sonhada esquina da luxúria, tem como continuação direta, o fracasso da viela dos mortos.

Agora, ansiavam pela riqueza de espírito que tanto desprezaram no início de suas vidas. Talvez esse fosse, por ora, um sonho utópico, um mito criado por suas pobres mentes para dar-lhes a esperança, a qual já haviam perdido, mas preferiam acreditar que poderiam mudar suas vidas, viver aquilo que seus pais não viveram, a felicidade que era a vida simples, sem preocupações maiores, porém, sabendo que habitavam nesse mundo por um motivo que, até então, não sabiam qual era.

Na encruzilhada dos famintos, vivia um jovem homem, que se tornara velho, esperanças frustradas, vida amargurada, família desunida, tudo lhe parecia monótono, assim como para o restante daquela comunidade despropositada. Esse homem, sem nome próprio, conhecido apenas como o filho do nobre juiz de direito, este  também carecia de amor e, claramente, de segurança e foi quem optou por uma profissão que lhe traria lucros, mas o que de fato aconteceu, foi ter sua vida ceifada pela insegurança, que não só ele, mas todos ali sentiam. Aquele homem, por mais quimérico que possa parecer, gostava do que vivia, seus luxos e paixões o prendiam no mundo de desgraça.

Sua vida era como uma rosa, aparentemente, bonita, mas para quem acompanhava de perto o desenrolar do cotidiano, sentia espinhos fincando em suas carnes. Vivia uma vida tóxica, mas, afinal de contas, todos que ali habitavam, envenenavam-se, tornara algo normal para suas fúteis vidas.

Amavam a riqueza, talvez apreciassem não serem amados, eram orgulhosos demais para se permitirem felizes com o carinho de alguém. Aqueles que nunca sentiram um amor fraternal, agora, negligenciavam qualquer outra forma de apreço.

Qualquer relacionamento que iniciavam, terminava em desgraça, tal qual suas vidas. Nada ali florescia, nada ali vivia. Todo ser que respira, sofre. Quiçá tais coisas mudem, ou que pereçam todos aqueles que não mudarem. Até mesmo a morte seria melhor do que tal vida imprudente. E essa morte já lhes aguarda, como velha amiga. Nada além de pó se tornarão, se nada mudarem. Quem sabe o tempo lhes converta em um novo alguém. Mas isso, ninguém é capaz de adiantar, cada um é senhor de seu próprio destino. Se esse destino está ou não selado, por ora fica a incógnita, e quem sabe um dia, descubramos o sentido por traz da vida.

“Temos o destino que merecemos. O nosso destino está de acordo com os nossos méritos.” Einstein, Albert

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