O deleitar da visão

Um de nossos cinco sentidos é o que mais altera a sociedade: a visão. Não podemos vivenciar o mundo com tamanho esplendor sem sentir as vibrações de suas cores.  Tradicionalmente, aceitamos que a visão é um mero reflexo da realidade, objetivamente provocada por um órgão para nossa sobrevivência. Porém, por baixo de uma construção biológica avançada, há detalhes que passam despercebidos.

Vivemos em uma sociedade tipicamente estética. Ideais e motivações são essencialmente uma beleza que esconde uma ideia. Tudo se trata do que parece: os vilões são feios e, portanto, temíveis; os heróis são belos e, portanto, bondosos. Um fracassado que se traja como um fracassado será sempre o que se parece. O mesmo acontece com qualquer ideia social: um rico, um pobre, ou mesmo alguém de classe média. Nenhum desses são estereótipos por seus ideais em si, mas pelo que representam, do mesmo modo que a ideia de um padre sempre nos vem à mente como a figura de um idoso sábio, de longas vestes brancas.

As pessoas não nos encaram pelo que fazemos ou por nossas virtudes, e sim pelo que aparentamos. De tal modo, mesmo a falta de uma expressão sorridente já pode aparentar a alguém que você não é uma boa pessoa. Então, mesmo que pareça uma realidade dura por ser supérflua, acaba se tornando um dilema na vida: aparente ser alguém feliz, e você será. Do mesmo modo ocorre com qualquer característica ou sentimento, como se fosse um placebo de nossa mente humana. Sorrir mesmo que não seja o dia mais animador, ou tentar algo novo para reescrever um dia ruim. Afinal, não podemos fugir de nossas limitações como seres humanos. De fato somos, e sempre seremos criaturas que procuram por estética. Talvez tenhamos nos tornado superficiais com as necessidades constantes das redes sociais, ou as novas gerações se acostumaram com uma vida mais simples e rasa. O fato é que esse placebo existe e interfere em nossas vidas.

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