“Ninguém” é uma Função

Hoje, Ninguém acordou e optou por pegar o segundo ônibus, mesmo que nunca o tivesse feito, escolheu assim conhecer aquele(s) motorista/cobrador/passageiros, mas o que isso efetivamente mudaria na vida? Ninguém pegou o ônibus da mesma maneira que sempre aliás, chegou aonde deveria como sempre e lá desempenhou seu “papel”, como deveria. Aparentemente, nada mudou na vida de Ninguém, nada mudou em nada…

Assim como o(s) motorista/cobrador/passageiros, por mais que pareça que não, cada pessoa que por acaso conheça, tem uma função a ser desempenhada. O encargo de cada “desconhecido” será o que ele puder ser e o que é esperado que ele seja, não existem encargos pré-definidos e não existe alguém inútil, pois o simples fato dela existir já lhe dá algum papel.

A incumbência daquele passageiro que foi ignorado era fazer “nada”, pois até o fazer “nada” é uma função que deve ser desempenhada. No fim, nada é realmente nada, já que até o “nada” desempenha alguma coisa; assim como o Ninguém do ônibus é Alguém em algum lugar em que desempenhe funções como simplesmente “nada”.

Ninguém um dia entenderá que é justamente por considerar os “estranhos” insignificantes e inúteis que os fazem tão importantes, pois são justamente esses “desconhecidos” que, desempenhando seus papéis, farão com que ele se torne Alguém. No fim, Ninguém desempenhará sua função querendo ou não, mutuamente com os “ignotos” e cumprirá, assim como eles, seu papel deixando de ser ninguém.

“Ninguém educa ninguém, mas ninguém se educa sozinho” (Paulo Freire)

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