Monotonia

Acordou, o dia nem raiou, mas você já está de pé; uma olhadinha de exatamente 30 segundos no celular, para não fugir do planejamento, ficou pronto, tomou café, foi para o ponto.Ao chegar à escola, escolheu minuciosamente uma carteira e seu lugar, para que tenha uma visão ampla da sala e de todo o quadro. Na primeira aula é difícil, a preguiça atormenta, porém é derrotada pelo medo do diploma não chegar em suas mãos. Durante a manhã, são anotações e mais anotações, com direito a específicos 10 segundos de conversa paralela; o que o professor diz é lei, suas opiniões, regras a seguir.Correu, abriu um mínimo lugar na sua agenda para um almoço rápido, até porque não se pode perder monitorias, horários de atendimentos e, claro, projetos extras curriculares que ajudarão a conquistar seu futuro sonho, que ainda nem sabe qual é.

Já de tarde se repete todo ciclo vicioso da manhã, com uma única diferença, a luta já não é mais com a preguiça e sim com a criatividade que quer tanto voar, mas novamente é derrotada, tem de manter-se centrado, afinal o conhecimento é provado com a nota bimestral.

Ao chegar em casa, pode-se perder pontualmente 1 hora, inclua alimentação, descanso e banho. Após esse tempo, sentou-se em frente à mesinha de estudo e assistiu ao máximo de vídeos aulas, refez listas de exercícios, cumpriu com os deveres e trabalhos. Quando se fala em “máximo” não se fala de limites e sim de fins, até chegar no fim de todas matérias.

Os dias da semana já acabaram, final de semana todo planejado, com seu objetivo maior: adiantar as tarefas da semana seguinte. Obviamente tem um espaço no calendário para festas ou reunião familiares, mas junto com esses eventos vem também a culpa, pois: “Se não tivesse ido, teria estudado mais e não tiraria essa nota…”

Esse ciclo se repete frequentemente com a esperança de que no fim haja respostas, consequências positivas, mas ,sim, sempre tem “mas”… O que fazer quando toda essa monotonia acaba e a resposta que há é negativa, contrária a todo seu esforço físico e psicológico? Culpar a si próprio? Aliás, há um culpado?

O que um alguém denominado aluno deve fazer quando essas interrogações chegam até ele junto com a mais temida pergunta da qual a resposta pode virar seu mais novo rótulo. “Quando vai ser a reunião de pais, filho(a)?”

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *