Minha amiga intensidade

São aqueles pontinhos que te salpicam os olhos e temperam a alma 

Às vezes ultrapassam a medida 

Mas existem aqueles que preferem sempre transbordar nas palavras 

É um longo caminho 

De tropeços e joelhos ralados 

Que sempre tem que contar com curativos

Para os ferimentos de um coração hora ou outra machucado 

Não sei como o chamei 

Ou quando foi que chegou 

Acredito que sorrateiramente, para eu não me apavorar

Com a perspectiva de toda uma vida deleitando-me com o não controlar 

Não controlar as palavras que ameaçam romper a barreira do “não”

Não controlar o choro ou tantos poemas escritos em vão 

Não controlar o “eu te amo” dito cedo demais, para quem não tinha a intenção de fazer morada e chamar-me de lar 

Não controlar a sensação do sentir demais em um mundo de vaguidão 

São todos os momentos arquivados na memória 

Repassados e revisados, todas as noites pela mente 

É tudo aquilo que tornou-se um pouco demais para ser expresso pelas palavras 

E um dia tornou-se tão presente 

Que chamei de amiga 

Minha cara amiga intensidade 

Presente em cada um que se sente submetido, a apreciar a solidão

Todos os dias

Em meio a uma multidão 

Presa na devassidão do não saber sentir

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