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Deve se ter muito cuidado quando decidimos comparar a vida com qualquer outra coisa. Podemos dizer que a vida é, em todo o seu curto esplendor, complexa demais para ser comparada com algum aspecto particular dela mesma, e não, não é sobre isso que se trata o texto, minha filosofia não atingiu níveis tão absurdos – ainda. Você lerá a comparação de um aspecto particular da vida com a manifestação da vida em outra coisa.
Como aspecto particular decidi usar a maturidade, coisa bastante questionada em todas as idades e em todas as fases da vida. A maturidade, devemos concordar, é como o dinheiro: alguns tem demais, outros, de menos, e ela é essencial para se ter uma vida. A manifestação da vida será dada em forma de árvore, mas não uma árvore qualquer, vai ser sobre uma árvore que produz mangas.
Comecemos então falando sobre a anatomia de uma mangueira. A famosa mangueira, árvore que produz mangas é, basicamente, igual a todas as outras árvores. Ela tem raízes, um tronco, galhos grandes e pequenos, folhas saudáveis e folhas murchas, frutos verdes, amarelos e rosas e, às vezes, também tem alguns bichinhos morando nela.
Podemos dizer que as raízes representam nosso porto seguro, nossa casa; o tronco é, por consequência, nossos pais, aqueles que dão apoio e rezam pelo nosso crescimento e saúde; os galhos, obviamente, representam as inúmeras possibilidades e caminhos que podemos ou não seguir, onde escolhemos ou não crescer e prosperar; as folhas são nossas experiências e erros, os momentos que passaram pela nossa vida, nossas lembranças; e por fim, as mangas representam a maturidade que mostramos ter.
É curioso dizer que quando as folhas caem, elas representam os momentos que deixam de ter importância ou caem no esquecimento, o restante não é importante ressaltar.
Quando as mangas nascem, elas ainda estão verdinhas, ou seja, tem pouca maturidade, podemos dizer que somos nós quando crianças; quando elas estão amarelas, mostram que temos um pouco mais de maturidade, mas ainda não é o suficiente para sair do ninho, a adolescência marca esse período da manga; quando a manga está rosada e suculenta, a representação é da nossa vida na fase adulta, ela mostra que vamos cair no chão e deixar para trás as raízes e a estabilidade que tínhamos desde o nascimento, e estamos prontos para começar uma nova vida.
A nova vida começa quando, durante nossa estadia no chão, um passarinho nos vê e pensa “Hmmm, que manga suculenta!” e decide nos levar para alimentar os seus filhotinhos com a nossa polpa e doçura – podemos dizer que a vida adulta age de forma parecida – e depois do sofrimento joga o que sobrou de nós, os fiapos e a semente, de volta ao chão. A partir de então, assim como uma avestruz faria, decidimos nos enterrar até o pior passar.
Um tempinho depois, o pior passa, e você, manga, filho de mangueira que era, vira uma mangueira também. Com raízes, tronco, galhos, folhas, frutos e bichinhos.

 

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