Inclusão: um passo para a exclusão

São diversas as esferas que possibilitam abordagens com respeito à inclusão social. Entretanto, a que aparenta ser mais comum e evidente é a de pessoas com deficiência. O Estatuto da Pessoa com Deficiência contém os direitos com os quais os indivíduos com alguma anomalia, seja ela física, mental, ou de qualquer outro tipo, tenham a possibilidade de viverem suas vidas de modo normal como quaisquer outras pessoas, entretanto, em grande parte das vezes, isso acaba ficando apenas na teoria.

Existem algumas leis que buscam assegurar e sustentar o processo de inclusão de pessoas com deficiência em ambientes sociais distintos. Tem-se como exemplo a Lei de cotas para PcD (Pessoas com Deficiência), que estabelece que empresas com mais de cem empregados devem possuir no mínimo 2% de suas vagas ocupadas por pessoas que se enquadram nesse critério. Porém, parcela majoritária das empresas faz isso apenas para o cumprimento de uma obrigação e não oferece condições nem estrutura adequada para que indivíduos assim possam ingressar no mercado de trabalho exercendo suas funções de modo útil e efetivo. Sendo assim, querem incluí-los sem o oferecimento de uma estrutura adequada e de funções bem específicas, acarretando a sua exclusão de ambientes nos quais eles mal tiveram condições de desempenharem seus potenciais e exercerem as capacidades que sobressaem às suas limitações.

Existe um desnível no tratamento de PcD quando comparado ao de pessoas que não possuem anomalias. Essa diferença de tratamento pode ser encarada como preconceito e até mesmo discriminação. A inclusão sem a base e a fundamentação adequada pode se tornar exclusão. Querer incluir de qualquer forma sem oferecer a estrutura necessária acaba sendo pior do que não incluir. Algumas escolas comuns buscam oferecer vagas a alunos com deficiência, no entanto, muitas delas não oferecem as condições necessárias para o desenvolvimento de estudantes com deficiência. Sem contar o fator do preconceito por parte de alguns colegas, pois eles acabam enxergando o aluno deficiente como inferior, já que o mesmo não consegue acompanhá-los nos diversos conteúdos e matérias dependendo do tipo da sua deficiência. Nessas situações, ele acaba sendo excluído do grupo social ou tratado de maneira diferente pelos demais alunos. O problema não se concentra nas leis que dizem respeito à inclusão, ele se encontra nas condições para aplicação delas.

O Estatuto da Pessoa com Deficiência está bem fundamentado, mas é necessário que suas palavras sejam aplicadas na prática. Para isso, é fundamental que exista alguma espécie de fiscalização responsável pelo asseguramento real dos direitos descritos lá, esta poderia ser realizada em escolas e em empresas com o objetivo de verificar se a inclusão está sendo feita de modo correto. Seriam interessantes também a promoção de campanhas e projetos que visassem à colaboração no desenvolvimento de uma estruturação mais bem formada para o acolhimento e a inserção de PcD  no mercado de trabalho, em instituições de ensino e também nos diversos locais que elas podem frequentar em seus cotidianos, para que possam viver suas vidas normalmente. Assim, vencendo suas limitações e desmembrando as barreiras existentes entre eles e uma sociedade que, infelizmente, ainda insiste em ser preconceituosa e antiquada.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *