Ignorância ou racismo

Somos leigos, ora somos leigos, meu caro amigo

Tenho fome e tenho sede

Tenho desejo

Somos leigos, ora somos leigos, meu caro amigo

Busco conhecimento

Procuro, e procuro

Anseio por minha história e não encontro registro

Somos leigos, ora somos leigos, meu caro amigo

Sou dessa terra estranha

Que se esconde atrás de uma máscara

Que se envergonha de um passado marcado por correntes e chibatadas

Sou dessa terra

Que facilmente se amedronta

Que esqueceu que somos prole

De uma raça escravizada

Somos leigos, ora somos leigos, meu caro amigo

Tá na pele

Tá na cara

Que sou jovem

Não sei de nada

Mas oras sei que tenho história

Essa a qual não se explora

Somos leigos, ora somos leigos, meu caro amigo

Venho do negro, humilhado, escravizado

Venho do indígena, até hoje, desumanamente explorado

Venho do branco, “mia senhor”, atualmente maiores líderes do planalto

Somos leigos, ora somos leigos, meu caro amigo

Pois Brasil, mostra a tua cara

Apoia tua raça

Conta a minha história

Somos leigos, ora somos leigos, meu caro amigo

Sou parte de uma raça miscigenada

Infelizmente, tão julgada

Ainda separada

Cruelmente intitulada

Somos leigos, ora somos leigos, meu caro amigo

Não nos intitule

Não nos julgue

Não temos cor

Pois se discorda então me prove

Que tem sangue puro

Que pertence a uma única raça

Provê-me, quando vem de uma linhagem tão caldeada

Somos leigos, ora somos leigos, meu caro amigo

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