Flipoços 2017 – Um país se faz com homens e livros

Ao caminhar pelos estandes abarrotados de livros do Flipoços 2017, pude perceber o quão heterogêneo era o público visitante. Crianças, adultos e idosos estavam reunidos em um só lugar por uma paixão em comum: ler. Afinal de contas, ali tinha de tudo, desde obras infantis até técnicas. Quanto aos preços, alguns eram muito baratos, enquanto outros incompensáveis.

Na noite de sábado (06), dia em que fui ao evento, ocorreu uma palestra do promotor Deltan Dallagnol, coordenador da força tarefa do Ministério Público Federal (MPF) na operação Lava Jato, cujo tema está presente em seu livro “A luta contra a corrupção: a Lava Jato e o futuro de um país marcado pela impunidade”. Meia hora antes do começo, uma longa fila formava-se. O resultado foi um teatro lotado que, logo na apresentação do convidado, pôs-se de pé e o ovacionou.

Créditos: Lúcia Ribeiro/G1

Em meio à narrativa que detalhava um pouco mais a operação sob a perspectiva de quem investiga, Deltan também abordou a importância do apoio popular. Segundo ele, a sociedade é um escudo que protege os audaciosos promotores e garante a continuidade da maior investigação de corrupção e lavagem de dinheiro que o Brasil já teve.

Além disso, a Lava Jato seria, para o palestrante, um ponto fora da curva. A exceção que confirma a regra. Em um país marcado pela impunidade, os números da operação assustam: 131 condenações, contabilizando 1377 anos, 9 meses e 21 dias de pena. Muito mais do que algarismos, esses valores são símbolos, que evidenciam a mudança de paradigma da corrupção no Brasil.

Contudo, isso não foi suficiente. Para os procuradores do MPF, era preciso mais. Surgiu, assim, um projeto de lei denominado “10 medidas contra a corrupção”, que buscou aprimorar a prevenção e o combate à corrupção e à impunidade. Nessa luta, milhares de brasileiros uniram-se para assinarem e levaram a iniciativa ao Congresso, em um belíssimo ato cívico.

Ao final, depois que Dallagnol e o mediador Vladimir Netto responderam a algumas perguntas da plateia, sentimentos inspiradores, Justiça e Esperança, pairavam no ar do teatro do Espaço Cultural da Urca. A palestra, que durou pouco menos de duas horas, muito mais do que um diálogo sobre a Lava Jato, foi um momento de profunda reflexão sobre os rumos do país, no qual pude perceber o quão essencial é a participação de cada cidadão brasileiro.

A esse momento no Flipoços, cabe pontualmente a célebre frase de Monteiro Lobato: “Um país se faz com homens e livros”.

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