Existência

Ser – Tudo escureceu de repente e eu já não podia nem mesmo ver minhas mãos brancas. Podia escutar muitos barulhos, porém não ouvia nem mesmo minha própria voz.

Vida – Você estava bem? Conseguia ver alguma coisa?

Ser – Um cansaço me atormenta, porém não tenho o ânimo para descansar. Eu choro, o choro consciencial sem lágrimas. Vejo uma luz, ela é tão forte que me obscurece e entro nas trevas. Eu enxergo tudo, mas não vejo nem mesmo minha própria imagem no espelho.

Vida- Está cansado de quê? Sente algo?

Ser – Eu toco tudo e sinto cada vento, mas finjo não notar minha dor real. Não faço nada e estou exausto, pois queria parar. Porém essa opção não está disponível ainda.

Vida – Mas o que você quer de verdade?

Ser – Eu não quero morrer, porém não quero viver também. Como explicar algo assim? Não dá para você entender eu sei… Nem eu entendo. Não pode me ajudar, eu compreendo, porque eu também não posso. Eu me odeio, mas tenho que fingir que me amo, porque esse é o normal.

Vida – Não enxergo uma solução, desculpe…

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