Eu não sou mulher

Ligamos a TV e vimos manchetes pregando o padrão de beleza feminino da moça magra de pele lisa, sem falhas, ousando não ser submissa (como se a regra fosse essa), mas que ainda depende do homem para comprar todas suas roupas e perfumes caros.

Não é nenhum plot twist quando a intensificação destas propagandas acontece no dia da mulher. Passa a propaganda e vem o jornal com uma manchete de poucos segundos sobre um feminicídio e volta a falar da sujeira política do dia-a-dia. Falam dos assédios que as atrizes sofreram, mas não dão um pio sobre aquelas que são estupradas às vezes pela própria família. Ninguém fala da menina que foi estuprada pelo próprio padrastro, isso não é notícia, isso não é fantástico.

Qual o interesse dos homens no poder e dos generais do capital pelo feminismo? – Não confundam, feminismo é a luta pela igualdade; feminismo é o inverso do machismo – o interesse destes homens é o capital. Se tem uma oportunidade de capitalizar o feminismo, vão capitalizar.

Eu não sou mulher para me atrair por estas propagandas. Eu não sou mulher para entender o que é assédio. Eu não sou mulher para sentir o que é estupro. Eu não sou mulher para receber menos que os meus ditos iguais perante a lei. Eu não sou mulher para aprender a ser comportada com medo dos julgamentos sociais. Nunca senti o peso de julgamentos ao usar roupas ousadas. Nunca pedi pra passarem a mão em mim. Sou humano, tenho orgulho de dizer que vim do útero da minha mãe. Sem mulher não há vida e ainda sim nos sujeitamos a tratar a vida como tratamos uma mulher.

Peço perdão.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *