Cultura: Prioridade desprezada

O Brasil é um país muito vasto culturalmente. Isso se deve à condição de sua cultura ser proveniente de inúmeras localidades que possuem diferentes hábitos, costumes e manifestações artísticas. Entretanto, tamanha extensão cultural não é usufruída de modo efetivo, pois alguns fatores obstruem o seu acesso.

A maior parte das instituições e eventos de âmbito cultural se baseiam no lucrativismo. Desde teatros e espetáculos até exposições de arte e outros semelhantes. Habitualmente, a grande maioria dos cidadãos brasileiros considera esses elementos como luxos desnecessários e focam suas rendas nos gastos básicos de manutenção de vida. Outro fator atrelado a esse é que, historicamente, os brasileiros nunca tiveram o costume de “consumir” conteúdos do tipo.

Os locais onde se concentram os aglomerados de produção cultural são os grandes centros socioeconômicos do país, ou seja, as capitais estaduais e seus arredores. Esse motivo dificulta a acessibilidade dos indivíduos que vivem em regiões interioranas às produções feitas nos grandes centros. Tem-se como exemplo o fato de dados constatarem que existe cerca de um cinema a cada dez municípios. O consumo de produção cultural já não tem sido prioridade e para que ele ocorra é necessária a locomoção das pessoas. Eis mais um agravante da desigualdade de acesso a esse campo.

Democratizar a cultura exige ações que prezem por torná-la popular, como por exemplo oferecer incentivos fiscais que tornem mais acessíveis os valores de custo das manifestações e eventos organizados pela iniciativa privada. É fundamental uma revisão de conceitos por parte dos brasileiros para que todos possam dar a devida importância à cultura e ao seu “consumo”. Também seria interessante que órgãos públicos responsáveis por essa área se movimentassem e desenvolvessem projetos que estendessem a produção cultural às regiões periféricas dos territórios estaduais.

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