Carta a uma sociedade

 

Caro leitor,


É evidente o empenho dos três poderes em manter nosso país em um marasmo econômico, social e político. E toda essa falta de princípios se estende também a uma parte da população. Nossa sociedade está passando por um processo de normalização de atitudes de autoritarismo.
Durante uma entrevista na rádio Jovem Pan, o jornalista, fundador do site de notícias “The Intercept”, Glenn Greenwald, é atacado pelo exponente do jornalismo brasileiro, Augusto Nunes. O que era pra ser uma entrevista com respeito bilateral se transformou em um espetáculo de mal-caratismo de ambas as partes, mas especialmente do brasileiro, que além de agredir o americano, insinuou que o mesmo deveria ter seus filhos enviados para um abrigo, simplesmente por não concordar com seus posicionamentos políticos e comportamentais.
No executivo, os ministros constantemente entram em desacordo com aquilo que o presidente diz ou faz, e muitas vezes, esse é centro de polêmicas que abrangem desde suposto envolvimento com milícias até questões de ingerência e falta de espírito democrático.
O Judiciário, quão contraditório quanto, não se cansa de alterar suas opiniões sobre um mesmo assunto, a prisão em segunda instância. Isso se dá em um momento propício para tal, e para quem pensa que tal resultado irá evitar injustiças, esqueça, só será beneficiado quem tiver dinheiro e poder para levar o caso até última instância. E para aqueles outros que imaginam tal resultado como a “reparação de uma prisão política”, pode ter certeza que o “injustiçado” já não é mais uma peça tão influente no jogo de poder nem sequer é uma peça confiável e honesta. Tal decisão foi tomada como medida preventiva contra a condenação dos poderosos, e nada além disso.
E no legislativo é tudo uma questão de “quem dá mais”. O jogo de poder se tornou algo essencial e, constantemente, vemos uma negociação de votos, a fim de receberem vantagens.
Esse é o jogo ao qual estamos acostumados, e esse é o tabuleiro no qual todas as peças estão fora de ordem, mas ninguém percebe que está tudo errado e que, para o jogo aconteça de forma normal, é necessária uma reformulação.
Precisamos de uma reformulação de valores, se é que esses supracitados já possuem algum valor moral e ético.
Pindorama foi novamente invadida, e dessa vez, por seus próprios compatriotas. Aqueles que diziam defender e amar são os mesmos que estão levando a Ilha de Vera Cruz a uma decadência total.
Abaité Acemira, gente repulsiva que causa dor, é isto que são, e é o que continuarão sendo se nada mudar, e espero que algo mude, antes que nossas vidas sejam mudadas como resultado desse autoritarismo.


Atenciosamente, eu.