Carta a uma sociedade leitora

Caro leitor,
No final de 2020, o ministro da economia Paulo Guedes enviou um projeto de reforma tributária para o congresso em que, entre os tópicos abordados, está a taxação de livros, taxação essa que deverá ser de 12% o valor da obra. Ao ser questionado sobre, Guedes afirmou que a taxa não fazia a mínima diferença, porque, historicamente, quem consome livros no Brasil sempre foram as classes mais altas, e que essas pessoas poderiam continuar comprando. A fala do ministro, claramente elitista, dá a entender que quem é de uma classe social mais baixa não deva adquirir livros, ignorando completamente o que diz a constituição de 1988, e também o que dizia a constituição de 1946, de que o objeto livro não poderia ser taxado em nenhuma fase de confecção e distribuição, uma vez que este é elemento central para a democratização da educação e da cultura, e que por esse motivo, deve ser amplamente incentivado seu consumo e produção.
A proposta de taxação, igualmente a fala do ministro, está em consonância com uma série de decisões e falas do atual governo. Não me impressiona a voracidade dos “conservadores nos costumes, liberais na economia” em sugar toda a diversidade cultural, de alimentar toda uma história de elitização da educação, da ciência, da literatura e de todas as infinitas áreas que os livros contemplam.
Parece clichê o que vou dizer, e exaustivamente usado como ferramenta propagandista de diversos movimentos, mas a realidade é que o governo tenta restringir o acesso a ferramentas que fomentam determinada intelectualidade, porque o raciocínio crítico que é herdado dessa intelectualidade pode derrubar governos, confrontar o pragmatismo, gerar um futuro em que pessoas como as que compõem esse governo estejam bem longe de qualquer liderança política.
É necessário que unamos forças para combater qualquer tipo de elitização do conhecimento, a divulgação de verdades tidas como únicas e a manutenção de grupos políticos que constantemente atentam contra a integridade intelectual, econômica, social e internacional de toda uma nação.
Atenciosamente, eu.

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