Carta a um leitor

Caro leitor,

Venho por meio desta, expressar, compartilhar, meus mais árduos sentimentos como também uma leitora.

Acredito que nós leitores, corajosos o suficiente para nos atrever a mergulhar em mundos literários, não passamos de almas que vagueiam entre uma página e outra, fazemos saltos temporais em meio aos capítulos, não somos nada além de pessoas formadas por palavras dispersas aguardando o dia em que nos tornaremos um livro completo com pessoas dispostas a se arriscarem a nos ler.

Guardamos em cada livro lido uma parte de nós. Nossos livros mostram quem somos, mostram uma parte que ocultamos do restante do mundo, mostram nossos mais confidentes sonhos e desejos.

Livros nos tornam eternos e infinitos.

Eles despertam nossos universos, somos eternamente jovens quando não nos permitimos envelhecer.

Guardo partes fragmentadas de um eu, e de minha história, em pequenas prateleiras. Em páginas agora brancas, mas que um dia estarão amareladas pelos anos que se seguiram presas em um livro guardado em uma estante. As guardo em uma capa agora intacta, mas que com o passar do tempo estará gasta, as letras quase ilegíveis e no final não fará diferença, pois, um livro nunca morre, um livro não envelhece, seu corpo é apenas um receptáculo para a imensidão guardada dentro dele, e todos eles guardam uma parte minha, serei também eterna.

Nós seres humanos não passamos de livros, alguns de nós apenas não sabem como segurar a caneta quando começam a escrever pelas folhas do livro da vida. Somos feitos em longos capítulos, temos a capacidade de recomeçar sem apagar a história e torná-la em algo lindo de se ver, de se ler. Receio que muitos de nós estejamos esquecendo como é ler as entrelinhas, elas nos fazem enxergar as coisas mais belas da vida, não as ignore, leve isso como um alerta.

Somos donos de uma sede insaciável e desejo árduo pela comunicação de almas. Nutrimos necessidade de amar e expandir nossos horizontes. Permitir que os universos presos em nosso peito sejam libertos é uma idiossincrasia quase sufocante, chega a soar aterrorizante.

Permita-se amar. Permita-se ser feito de palavras. Permita-se ser eterno meu caro e jovem leitor, que assim como eu não passa de pó do universo, rastro de estrelas e borbulhas de ondas do mar. Seja mais que uma página, seja bem mais que um capítulo. Seja uma vida toda. Seja real.

Com carinho, apenas mais uma leitora.

 

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