Carta a toda a sociedade

Caro leitor,

Eu havia me esquecido dessa série, na verdade, estava querendo me desligar de assuntos polêmicos, porque são exaustivos, e eu queria paz. Contudo, nosso país se encontra em uma época em que pedir paz é ser insensato ao ponto de negar a realidade. Certa vez, Martinho Lutero afirmou que deveríamos buscar “a paz, se possível, mas a verdade a qualquer preço”. Vivemos em um país polarizado, com ambos os lados em seus extremos, o diferente é combatido, e o sensato é chamado por ambos os lados de “isentão”. Concordo que não devemos ser isentos em relação a opressões, mas o mundo está bipartido, e isso faz muito mal para toda a estrutura democrática. Deveríamos aprender a raciocinar e dialogar desprendidos de ideologias pré-concebidas, aprender a pensar por conta própria, e criar nossos próprios ideais. Uma sociedade pensante é uma sociedade que não se deixa levar por populismo, fascismo e demais ideologias antidemocráticas. Não é de interesse da parcela da população que está no poder, em ambos os lados, que a massa deixe de ser manipulada, porque assim toda a estrutura corrupta e de alternância de poder que está estabelecida cai por terra.
A paz é algo desejável, mas devemos, antes, desprendermo-nos de tudo aquilo que ofusca a verdade, tudo aquilo que retira nossa liberdade. “Liberté, égalité, fraternité“, esse foi o lema da revolução francesa. Uma causa nobre, contudo, o foco do seu lema, hoje, é esquecido e colocado como pertencente a uma determinada linha de pensamento político. O fato é que a liberdade, a igualdade e a fraternidade deveriam ser algo unânime, independente de partidos, ideologias, classes sociais. A liberdade retira as amarras colocadas por um estado totalitário. A igualdade elimina as diferenças causadas por séculos de um sistema corrompido. A fraternidade faz com que as pessoas busquem um só objetivo, a união.
Tudo isso é maravilhoso em teoria, mas no Brasil em que vivemos, tudo o que vemos é autoritarismo, desigualdade e desunião, fomentados por dois lados da mesma moeda do jogo de poderes, que se alternam, mandato após mandato, entre governo e oposição.
Vemos no poder um protótipo de ditador, irresponsável, genocida, e insensato, que se auto-denomina “líder supremo do país”, que cria todo um arcabouço de corrupção para proteger a si mesmo e a seus próximos de possíveis investigações, que descumpre as recomendações de seu próprio ministro da saúde. Afinal, quem é o ministro da saúde agora? Me perdi com tantas trocas. Um ministro do meio-ambiente que fala em aprovar leis contra o mesmo, enquanto a população está distraída com a pandemia. Um ministro da educação que sequer sabe escrever um tweet sem dezenas de erros ortográficos contidos. Um ex-secretário da cultura que escancara sua simpatia ao nazismo, em um vídeo oficial do governo. Enfim, se eu for citar cada pessoa inserida nesse governo que tenha mal-caratismo correndo nas veias, ficaria até ano que vem escrevendo esse texto.
Igualmente, temos uma oposição totalmente despreparada e igualmente corrupta. Um ex-presidente que agradece pela existência do vírus (e nem vou citar os esquemas de corrupção, nos quais é suspeito de envolvimento), um presidente da Câmara que ora declara guerra contra o governo, e no dia seguinte retoma a “amizade”, para bem próprio; governadores que se dizem o antro do caráter, e se declaram oposição ao governo, mas esquecem que se elegeram, e igualmente ajudaram a eleger esse mesmo que hoje atacam. Como esquecer do BolsoDória?
Se disserem que estamos em um beco sem saída, então construamos uma estrada nesse beco, libertemo-nos da opressão que nos é imposta. O povo brasileiro é conhecido por ter garra, por ir atrás de seus objetivos, e jamais desistir, então, vamos honrar essas características que nos foram dadas, e como bons brasileiros, buscaremos, e conseguiremos mudanças. Façamos uma revolução no sistema, derrubando a estrutura corrupta e autoritária que nos assola, e a falsa impressão de democracia. A cada eleição enganam a todos nós e se perpetuam no poder. Sejamos conscientes na hora de votar, para que o autoritarismo não reine sobre nós, mas sim uma verdadeira democracia representativa, em que todos tenham voz, e que a vontade do povo seja colocada em prática.

Atenciosamente, eu

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *