Barofobia l

A potência aeroespacial dentro de mim já não reside

Propulsões e propulsões ao centro me direcionam

Uso temporárias satisfações, para meu fraco foguete,

que me mantêm em órbita do mesmo buraco negro.

 

Receio o buraco negro, entretanto,

temo mais ainda que eu me acostume a orbitá-lo

Prosseguindo nos devaneios da tralha que me mantém vivo

reflito sobre um possível futuro cosmicamente inexistente

 

Não há combustível infinito, hei de atrofiar,

O horizonte do horizonte de eventos,

Quantas quantas hei de não mais ser?

história não observacional tornar-me-ei

 

Definitiva é a rota que meu rumo há de tomar,

assim como a pétala que cai na primavera

tem sua dança previamente calculada pela matemática,

minha limitada capacidade já foi configurada “quantitativa”.

 

O vazio do que orbito

é mais denso que o inimaginável;

experimento agora uma falsa versão tremenda de sua gravidade,

que mal aguento observar, desejo partir, de um jeito ou de outro

 

De órbitas em órbitas questiono-me:

“orbito-o ou orbita-me?”

e por não perceptível solução

declaro a dolorosa superposição

 

de momentos em momentum penso

Barofobia

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