Adeus

 

A vida é um caminho, quem trilha seu caminho, vive bem sua vida. Bem clichê, concordo. Mas podemos elaborar muito em cima disso. Nossa vida é um caminho, não é linear, não é cíclico. Vai além disso, é mais complexo. Trata-se de um labirinto com muitas saídas, assim, uma linha só não representa nossa vida. Fisicamente falando, nossa vida segue milhões de caminhos diferentes dos quais apenas um se sobressai. Nossa vida é feita de trechos e cada trecho é para nós um momento, uma memória ou uma pessoa. O meu ponto é esse, como uma pessoa pode ser um trecho na nossa vida?

Pessoas vêm e vão. Algumas ficam, algumas vão embora. São raras as que ficam e aquelas que o fazem, às vezes não nos têm tanta importância quanto as que se foram. Lembra-se do seu professor favorito, daquele amigo que se afastou, daquele primo que foi embora ou daquele parente que faleceu? Pessoas, por mais que se negue, são efêmeras, são carne, matéria orgânica. Não entro em partes de alma e espírito, pois estas são abstratas demais para se questionar neste momento. Falo de matéria física. Matéria que se decompõe.

O que elas deixam de legado é a convivência, é o afeto. E o que nos leva a ter afeto? O que nos leva a sentir um aperto de saudade quando nos lembramos da pessoa? Conhecimento. Esse é o ponto, a chave. Não, conhecimento não se trata somente do be-a-bá aprendido na escola, não se trata somente disso. O conhecimento dialoga com nossas ações, ações que formam caráter, formam persona. Não chorem em uma despedida. Sorriam, sorriam se puderem dizer adeus e souberem que de todos os momentos, de todas as risadas, lágrimas, brigas, sermões… de tudo, vocês puderam tirar alguma coisa nova, alguma opinião nova.

O ser humano está em constante mudança. O adeus não se trata de perda, não se trata de ter menos pessoas na sua vida. Mas sim de ter mais conhecimento. De mudança.

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