Ada

A não ser que seja capaz de fazer de sua boca um túmulo, não leia essas palavras; tal direito só há de lhe caber se for capaz de compreender que nada expõe mais um ser humano do que o resultado do trabalho de sua mente em conjunto com uma caneta, lápis ou teclado. Sendo assim, se não tiver a habilidade ouvir, ou ler os sentimentos mais internos de alguém, sugiro que não leia as últimas palavras de Ada Scot. Deixo claro que colocar, na íntegra, o que por ela foi escrito ou até mesmo sua formatação equívoca e primitiva, seria um absurdo imenso com toda a certeza, portanto não espere uma carta, email, ou uma fonte falsa simulando uma letra natural e cursiva. Recuso rebaixar-me a esse nível.
Ada, no auge adolescente de uma vida, não foi contra os padrões de comportamento de sua idade, tão pouco assemelhou-se aos outros jovens que viviam ao seu redor. Sua vida, já finda há muito tempo, foi um emaranhado de relações e mentiras. Ada não fez “nada demais”, porém, os fins justificam os meios e um dia em sua vida, assim como um pensamento que nela surgiu, fez com que chegássemos a esse momento.
Deixo claro, inclusive, que nunca de minha boca, ou de minhas mãos, sairá o motivo pelo qual finalmente compartilho o pensamento de Ada, assim como nunca falarei como o mesmo chegou até mim depois de tão relativo tempo. O que foi escrito por ela mudou minha vida e pode ser um oceano de ondas imensas ou uma poça d’água prestes a secar na sua. A ideia é passar adiante, levar a reflexão até você e deixar que tome as próprias conclusões.
Ninguém precisa ler um bilhete de uma garota que nunca conheceu para que essa ideia passe-lhe pela mente, mas o problema é que geralmente não temos tempo para pensar naquilo que não convém, naquilo que podemos deixar pra amanhã ou talvez para depois. Sei que todos, um dia, pensam no quão pobres somos, seja de conhecimento, dinheiro ou qualquer outra coisa; cada um reflete à sua maneira, mas deixo claro que o foco é saber. Temos tantas oportunidades de aprender sobre tudo no mundo, todas as religiões, todas as formas de governo, todas as nações, todas as coisas. Mas não temos tempo.
Todos os dias, com absoluta sinceridade, deveríamos sentir sede. Uma sede imensurável que chegasse a doer. Uma sede de saber. Uma sede de aprender. Ada Scot sentia da mesma sede por isso compartilhou o que sentia, para que mesmo que durante toda a vida, as pessoas pudessem entender que cada parte vale a pena, ou seja, que 0,01% daquilo que você se dispôs a pesquisar e aprender num tempo de sua vida já é uma conquista pois 0,01% atrai 0,02% e a sensação que a descoberta de uma coisa nova acarreta é insubstituível.
O caminho da satisfação não está em nenhum lugar porque não existe um caminho. Você acorda em determinado dia e descobre o que te faz ser a melhor versão de você. Essa menina encontrou sua fórmula e disse que só se encontra “a coisa” feliz da vida quando se deixa de procurar.
Como disse, nada deixa alguém mais exposto ou vulnerável do que algo que se escreve com o coração, lido por outras pessoas. Corro o risco de me entregar por completo permitindo que isso aconteça com o que escrevo, mas não posso privar ninguém do que significa o segredo da felicidade para mim. Esse, caros leitores, é o grande ensinamento de Ada Scot.

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