a (in)segurança da educação

       No Brasil, é comum que as coisas sejam corrigidas apenas quando resultam em algo negativo. É possível interligar esta realidade ao fato ocorrido na Escola Estadual Professor Raul Brasil, em Suzano, no estado de São Paulo.

      O massacre ocorrido em Suzano denuncia a situação da educação brasileira, principalmente, nas escolas públicas. Claramente, que não se deve generalizar o acontecido e ampliá-lo ao Sistema Educacional como um todo. Todavia devem ser analisados fatores específicos que induziram a tal circunstância.

A maior parte das instituições de ensino público do país, sobretudo as de redes municipais e estaduais, não possuem estruturas adequadas para agirem em situações de emergência como a sucedida recentemente. Elas acabam deixando a desejar em áreas que ultrapassam os critérios acadêmicos.

   Uma escola não é composta apenas por professores. Existem outros profissionais cujas funções se diferem, entretanto, trabalham em prol de um propósito em comum, que é possibilitar a eficácia do processo de aprendizagem. Talvez o que tenha viabilizado tamanha tragédia tenha sido a ausência de algum desses critérios, que acabaram por não assegurar a segurança e a preservação das vidas perdidas de forma brutal.

     Algumas figuras políticas baseadas no comentário de Major Olímpio, correligionário de Jair Bolsonaro, disseram que se houvesse professores ou outros funcionários armados naquele local, talvez, esse episódio pudesse ter sido minimizado ou até mesmo evitado. Esse argumento apresenta um elevado teor de ignorância e de falta de compreensão de qual é o principal âmbito que uma escola abrange. Professores não necessitam do porte de arma de fogo, visto que devem ter como função primária a tarefa de serem o elo entre os estudantes e o processo de aprendizagem . A afirmação mencionada anteriormente revela o estado de sucateamento e a precariedade do Sistema Educacional público do país, que prioriza o cumprimento de estatísticas e deixa em segundo plano a manutenção da ordem no ambiente escolar e os investimentos em profissionais qualificados que garantam a segurança e o bem estar dos alunos.

    É fundamental que a educação seja repensada e reformulada para que se torne possível oferecê-la da melhor forma possível com os elementos que ultrapassem o dogma de que a escola se concentra apenas nas figuras docentes. Para isso, é necessário que existam investimentos mais efetivos nessa área que possibilitem a oferta de algo que é praticamente inalcançável nos dias de hoje, um ensino público de qualidade, seguro e socializante que se oponha à realidade de escolas que não possuem verba suficiente para arcar com custos básicos de funcionamento e operação.

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