A distopia pela utopia

Sabe quando você simplesmente começa a chorar porque você não fez nada de importante até hoje? Por você se sentir um inútil, um fracassado. Sabe quando você começa a chorar porque se dá conta que você vive na zona de conforto, sem sequer ter a coragem de amar. Você simplesmente se dá conta de que nada de incrível vai acontecer com você, porque você não se permite viver.
Você até queria ser lembrado pelo seu conhecimento, mas você está exausto demais para aprender novas coisas. Você até queria ser lembrado por um livro que você escreveria, mas você tem medo demais de não conseguir escrever algo bom. Você até queria ter bons amigos, mas manter uma amizade é dificultoso demais pra você. Você até queria conhecer alguém por quem se apaixonaria arrebatadoramente e viveria um romance clichê digno de um livro, mas você tem medo demais de se apaixonar. A verdade é que você nunca vai ser nada, e nunca vai ter nada, você está fadado ao fracasso, a solidão e ao esquecimento, simplesmente porque você teme.
Eu temo. Nesse exato momento, me dei conta disso. Entendi que tudo o que eu idealizei vai continuar sendo apenas um ideal, porque eu temo tudo o que eu preciso fazer para conquistar algo.
Eu não quero uma aventura, uma vida de extremos, tudo o que eu queria era amar, sentimento esse que já nem sei mais o que significa, em meio a tanta confusão que se instaurou em minha mente.
Eu odeio temer tanto. Eu odeio sonhar além do que eu sei que posso alcançar. Quem sabe, algum dia, tudo o que idealizei torne-se realidade, o que acho improvável. Quem sabe, o amor pelo qual tanto aguardei, atinja-me como a flecha de um cupido, o que acho improvável. Quem sabe, os meus sonhos não sejam apenas uma utopia. É, quem sabe?

No final, toda a utopia que imaginamos, acaba fazendo com que nos tornemos escravos de uma distopia em que o sucesso é sempre obrigatório. Até mesmo o sucesso pode ser distópico. E isso é assustador, talvez esse seja o motivo de todo o meu medo.

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