A Crônica do Sonâmbulo Solitário

Uma noite quente, uma lua cheia. Quantas noites assim eu não passei sozinho? O ar fresco que entra pela janela me conforta com gentileza. O silêncio é sagrado, e todos que estão ali por perto fazem suas preces por ele. Estar sozinho nunca foi fácil, ocupava minha mente com tudo, mas nada evitava a solidão de me atingir quando eu estava, bem, sozinho. Irônico não? Solidão tola que de nada vale ser relembrada. Meu primeiro caso foi pra saldar a carência que carregava dentro de mim. Um buraco que se enchia tão facilmente quanto se esvaziava. Acabou tarde, gerou dor e cicatrizes. Meu segundo caso foi apenas um remendo desse, tão superficial quanto as palavras que eu proferia pra justificar uma mentira. Derramei lágrimas pelas minhas mentiras, achava que alguém se importava com elas quando na verdade tudo que estava em risco, tudo, era a minha mente, a minha história, o meu futuro. Liberdade, ninguém sabe o seu significado até que seja preso. Neste ponto, eu vagava sem rumo a noite, pés no chão mas cabeça nas nuvens. Onde estou agora? Quem sou eu? Quem eu fui?

Veja, estar feliz, estar em paz. Todos querem isso. Se esforçam para isso, mas ainda sim se arriscam em amar, em querer outras pessoas. Eles sabem que são as outras pessoas que vão pôr em risco tudo isso. Mas sabem também que não têm frieza suficiente ou maturidade ou racionalidade para atingir isso sozinho. É uma dádiva de poucos.

Talvez eu termine a noite me perdendo nestes pensamentos. Talvez eu simplesmente os esqueça e me ocupe com coisas mudanças. Mas a certeza que tenho, tal como tenho agora, é que ele vai vir e vai tocar no meu braço, e seus olhos sonolentos e pesados vão ser minha âncora pra realidade. Sua voz vai ser meu despertar. Seu sorriso que vai me mostrar, eu não sou diferente, eu sou a pessoa mais comum desse mundo. Estou em paz.

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